Selic: Copom decide os juros em 3 e 4 de novembro com inflação acima do teto da meta
Taxa está em 13,75% depois de cinco cortes seguidos; mercado projeta 13,25% no fim do ano.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central volta a se reunir em 3 e 4 de novembro para decidir a taxa básica de juros, a Selic, hoje em 13,75% ao ano. É a penúltima reunião de 2026 e acontece num momento delicado: os juros vêm caindo desde abril, mas a inflação de 12 meses voltou a passar do teto da meta. A decisão mexe com o custo do crédito, das dívidas e com o rendimento de aplicações.
Na última reunião, em 16 de setembro, o Copom cortou a Selic de 14% para 13,75%, de forma unânime. Foi o quinto corte seguido. Entre junho de 2025 e março de 2026, a taxa ficou parada em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. No comunicado, o BC disse que a atividade econômica mostra moderação, mas segue resistente, e que o ambiente externo continua incerto por causa dos conflitos no Oriente Médio.
O dado que mais pesa agora é a inflação. O IPCA de setembro, divulgado pelo IBGE em 9 de outubro, subiu 0,82%, puxado pela energia elétrica, que ficou 7,98% mais cara com o fim do bônus de Itaipu. Com isso, o índice acumulado em 12 meses chegou a 4,58%. A meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto, ou seja, o limite de cima é 4,5%. Em agosto, o acumulado estava em 4,22%.
Mesmo assim, o mercado ainda espera juros um pouco menores até dezembro. O Boletim Focus de 19 de outubro, que reúne as projeções de economistas consultados pelo BC, manteve em 13,25% a estimativa para a Selic no fim de 2026. Isso equivale a mais dois cortes de 0,25 ponto, um em novembro e outro em dezembro. Para o fim de 2027, a projeção segue em 12%.
O mesmo boletim, porém, mostra a inflação esperada subindo. A projeção para o IPCA de 2026 está em 5,22%, acima do teto, e a de 2027 passou de 4,30% para 4,32%. O crescimento do PIB estimado para este ano caiu de 1,85% para 1,83%. O BC já tinha dito em setembro que os próximos passos vão depender dos dados, sem se comprometer com novos cortes.
Para o consumidor, a Selic é a referência para as taxas de empréstimos, financiamentos e cartão de crédito. Cortes tendem a baratear o crédito aos poucos, mas o efeito no rotativo do cartão e no cheque especial costuma ser lento. Do outro lado, aplicações atreladas ao CDI, como Tesouro Selic, CDBs e fundos de renda fixa, passam a render um pouco menos. A poupança muda pouco enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano.
A decisão de novembro será anunciada na noite de quarta-feira, 4, ao fim da reunião. A ata, com as explicações do comitê, sai na terça-feira seguinte. A última reunião do ano está marcada para 8 e 9 de dezembro.
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