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Comportamento

'Loirona' que viralizou em atos políticos não existe: foi criada com IA

Perfil com mais de 522 mil seguidores usava montagens em vídeos reais para levar fãs a um canal pago. Veja como desconfiar de perfis assim.

Ilustração sobre deepfake e manipulação de imagens com inteligência artificial
Imagem ilustrativa: deepfake, imagem manipulada por inteligência artificial Foto: Ministerie van Buitenlandse Zaken / Wikimedia · CC BY-SA 2.0

Uma mulher loira que apareceu em vídeos de atos políticos ao lado do candidato Flávio Bolsonaro (PL) e ganhou fama nas redes como a "loirona do Flávio" simplesmente não existe. Segundo uma checagem do Projeto Comprova, a personagem, apresentada como Julia Berlli Cortez, foi criada com inteligência artificial e inserida em gravações reais. O perfil passou de 522 mil seguidores no Instagram sem avisar, na descrição, que era uma criação digital.

O caso chamou atenção nesta reta final de eleição porque mostra como a IA já consegue enganar muita gente ao mesmo tempo. Os vídeos circularam depois de atos realizados em 17 e 18 de outubro. Em um deles, segundo a comparação com a gravação original, a personagem aparece no lugar do deputado Nikolas Ferreira.

O objetivo, segundo o Comprova, era comercial. O perfil no Instagram levava os seguidores a um canal no Telegram, onde um sistema automático vendia pacotes de conteúdo adulto atribuídos à personagem, por valores entre R$ 14,90 e R$ 39,90 por semana. O canal chegou a cerca de 164 mil inscritos.

Quem primeiro chamou atenção para a farsa foi o influenciador Guga Figueiredo, conhecido como "Xerife da Internet". O Comprova analisou um dos vídeos com uma ferramenta de detecção de IA e encontrou sinais de alteração bem maiores que os da gravação original. A checagem também citou uma investigação da BBC que identificou mais de 30 perfis parecidos.

Os pagamentos eram processados por uma empresa de Brasília, que negou ter participado da criação da personagem e disse que só processa pagamentos de clientes cadastrados. Depois do contato da imprensa, as contas ficaram indisponíveis no Instagram e no Telegram. Os checadores não identificaram quem criou as montagens e não encontraram prova de ligação com a campanha do candidato, que não respondeu aos pedidos de comentário.

Para não cair em perfis assim, vale prestar atenção a alguns sinais. Desconfie de contas novas que crescem muito rápido e só publicam vídeos curtos e cortados. Observe mãos, dentes, brincos e bordas do rosto, que costumam tremer ou se deformar em montagens. Procure a gravação original do evento: se a pessoa não aparece nela, o vídeo foi alterado.

Outro alerta é quando o perfil empurra o seguidor para um link externo, um grupo pago ou um canal fechado. Antes de compartilhar, vale checar em agências de checagem como Comprova, Lupa e Aos Fatos. Repassar um conteúdo falso, mesmo sem querer, ajuda a espalhar o golpe.

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