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Perdeu o pico das Orionídeas? A chuva de meteoros do cometa Halley vai até 7 de novembro

Fenômeno teve o auge na madrugada de quarta (21), mas segue ativo; veja o melhor horário e como observar a olho nu

Rastro de meteoro das Orionídeas cruzando o céu noturno
Imagem ilustrativa: meteoro das Orionídeas Foto: Brocken Inaglory / Wikimedia · CC BY-SA 3.0

A chuva de meteoros Orionídeas, uma das mais conhecidas do ano, teve seu pico na madrugada de quarta-feira (21), mas quem perdeu ainda tem chance de ver alguns rastros no céu. Segundo o Observatório Nacional, o fenômeno fica ativo de 2 de outubro a 7 de novembro e é visível em todo o Brasil. O interesse tem uma razão especial: os meteoros são pedaços deixados pelo cometa Halley, um dos mais famosos da história.

O Halley passa perto da Terra a cada 75 ou 76 anos, e a próxima visita só acontece em 2061. A cada volta ao redor do Sol, ele solta poeira e pequenos fragmentos. Quando a Terra cruza essa trilha, as partículas entram na atmosfera em alta velocidade, se aquecem e brilham. É isso que vemos como "estrelas cadentes". Segundo o Observatório Nacional, o Halley produz duas chuvas por ano: as Orionídeas, em outubro, e as Eta Aquarídeas, em maio.

Os meteoros das Orionídeas são muito rápidos e podem chegar a 66 km por segundo. O nome vem da constelação de Órion, onde fica o radiante, o ponto do céu de onde eles parecem sair, perto da estrela Betelgeuse. Isso não quer dizer que eles só apareçam ali: os rastros podem surgir em qualquer parte do céu.

No auge, em condições ideais, a Organização Internacional de Meteoros (IMO) estima 20 ou mais meteoros por hora. Fora do pico, o número cai bastante, por isso é preciso paciência. Segundo o Observatório Nacional, o Norte e o Nordeste levam uma pequena vantagem, porque ali o radiante fica mais alto no céu.

O melhor horário é a segunda metade da madrugada, até pouco antes de o dia clarear, quando Órion está mais alto. A Lua também atrapalha: quanto mais iluminada e alta ela estiver, mais meteoros fracos desaparecem no brilho do céu. Vale consultar a fase da Lua e a previsão do tempo antes de sair, já que nuvens impedem a observação. Nesta semana, parte do Centro-Sul está sob alerta de tempestades.

Não é preciso telescópio nem binóculo. A orientação do astrônomo Marcelo De Cicco, coordenador do projeto Exoss, parceiro do Observatório Nacional, é procurar um lugar escuro, longe das luzes da cidade, e apagar as luzes por perto. No Hemisfério Sul, a dica é olhar para o norte e o nordeste, desviando o olhar de 30 a 45 graus de Órion, onde os rastros costumam parecer mais longos. Os olhos levam cerca de meia hora para se acostumar ao escuro.

Para quem quer fotografar, o Observatório Nacional recomenda lente grande-angular, abertura entre f/1.4 e f/2.8, ISO de 1600 a 3200 e exposições de 10 a 15 segundos, com a câmera em um tripé. Quem registrar um meteoro muito brilhante, o chamado bólido, pode enviar o relato com horário ao projeto Exoss, que reúne observações de todo o país e ajuda pesquisadores a estudar esses fenômenos.

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