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Saúde e Bem-estar

Metade das cidades avaliadas está em alerta para o mosquito da dengue antes do verão

Levantamento do Ministério da Saúde aponta 1.834 municípios em alerta ou risco; casos caíram 70% em 2026, mas a chuva e o calor reacendem a atenção

Mosquito Aedes aegypti pousado na pele
Imagem ilustrativa: mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue Foto: John Ragai / Wikimedia · CC BY 2.0

Quase metade das cidades brasileiras avaliadas pelo Ministério da Saúde está em situação de alerta ou de risco para a infestação do Aedes aegypti, o mosquito que transmite dengue, chikungunya e zika. O dado é do segundo ciclo de 2026 do LIRAa, o Levantamento Rápido de Índices para o Aedes aegypti, feito entre maio e agosto. O resultado ganha peso agora porque a volta das chuvas e o calor, que já atingem várias regiões do país, criam as condições ideais para o mosquito se multiplicar.

Segundo o ministério, 3.732 municípios enviaram dados, cerca de dois terços do total do país. Desses, 1.834 (49,2%) ficaram em alerta ou risco. Pela classificação do levantamento, 1.525 cidades estão em alerta e 309 em risco, enquanto 1.898 ficaram na faixa satisfatória. A conta considera o índice de infestação predial: abaixo de 1% dos imóveis com larvas é satisfatório, de 1% a 3,9% é alerta e a partir de 4% é risco.

O levantamento também mostra onde o mosquito se cria. Recipientes do dia a dia, como vasos e pratinhos de plantas, garrafas e baldes, respondem por 42,3% dos focos encontrados no país. Depois vêm os reservatórios de água, como caixas-d'água e tonéis (26,1%), e os pneus e o lixo, como latas, garrafas PET e entulho (23%). No Nordeste, predominam os depósitos de armazenamento de água; no Norte, os pneus e resíduos.

A boa notícia é que 2026 teve bem menos casos do que o ano passado. Até 26 de setembro, o país somava cerca de 470,5 mil casos prováveis de dengue, contra 1,5 milhão no mesmo período de 2025, uma queda de quase 70%, segundo o Ministério da Saúde. A chikungunya caiu 43%, de 118.885 para 67.902 casos prováveis, e a zika, 35%.

Mesmo assim, o ministério pede que estados e municípios reforcem a prevenção antes do verão, período de maior risco, e cita a possibilidade de El Niño, fenômeno que costuma mexer com chuva e temperatura. Entre as ações estão o uso de armadilhas para ovos do mosquito, as ovitrampas, já adotadas por cerca de 2 mil municípios, e as visitas de agentes de combate às endemias.

Em casa, a maior parte do trabalho cabe ao morador, e leva poucos minutos por semana. As orientações oficiais incluem manter caixas-d'água, tonéis e cisternas bem fechados, limpar calhas e ralos, não deixar água acumulada nos pratinhos de plantas, guardar garrafas e baldes de boca para baixo e dar destino correto a pneus, latas e entulho. Também é importante receber os agentes de saúde identificados e avisar o serviço de saúde sobre possíveis criadouros na vizinhança.

Os sintomas mais comuns da dengue são febre alta, dores no corpo e de cabeça, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas na pele. A orientação do Ministério da Saúde é procurar atendimento e não se automedicar. Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura ou fraqueza muito forte são sinais de alarme e exigem avaliação médica imediata.

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