Pix: nova etapa do rastreio de dinheiro de golpes começa nesta segunda (26)
Bancos passam a informar em qual camada de transferências está a conta suspeita. Veja o que muda e o que fazer se cair em golpe.

Começa nesta segunda-feira, 26 de outubro, mais uma etapa do MED 2.0, a versão ampliada do Mecanismo Especial de Devolução do Pix. A partir dessa data, as notificações trocadas entre bancos sobre contas suspeitas de receber dinheiro de golpe passam a indicar em qual camada de transferências aquela conta está. A mudança estava prevista para agosto e foi adiada pelo Banco Central. Ela importa porque golpistas costumam espalhar o dinheiro por várias contas em poucos minutos, justamente para dificultar a recuperação.
O MED existe desde 2020 e permite que a vítima de fraude peça a devolução de um Pix. O problema da versão original era que ela olhava só para a primeira conta que recebeu o dinheiro. Quando o valor já tinha sido repassado, quase não sobrava nada para devolver. O MED 2.0, em implantação desde fevereiro de 2026, permite seguir o caminho do dinheiro depois que ele é transferido para outras contas.
Segundo reportagem da Viva com base na Instrução Normativa BCB 766, publicada em julho, a nova funcionalidade se chama profundidade no grafo. Ela permite que as instituições acompanhem o trajeto do dinheiro, bloqueiem de forma preventiva as contas usadas para distribuí-lo e avisem formalmente os outros bancos envolvidos. Com a informação da camada, cada banco sabe se a conta é a primeira destinatária ou uma das intermediárias, as chamadas contas-laranja.
Para o usuário, nada muda na forma de usar o Pix. O Banco Central afirmou que o adiamento não teve efeito para os usuários e que o rastreamento que já estava disponível segue funcionando. A novidade é interna, na comunicação entre as instituições.
Outra mudança recente vale para quem vende. Desde 1º de setembro, o prazo para contestar uma devolução feita pelo MED subiu de 30 para 80 dias, contados a partir da devolução. A regra protege comerciantes e prestadores de serviço de um golpe conhecido: a pessoa paga, diz que errou o valor, pede o estorno por um novo Pix para outra chave e, depois, ainda abre o MED alegando fraude. O lojista acaba perdendo o dinheiro duas vezes. A orientação da Agência Brasil é usar a função de devolução ligada à própria transação, no aplicativo do banco, e nunca fazer um novo Pix para uma chave informada pela outra pessoa.
Também é bom saber o que o MED não cobre. Ele serve para fraude, golpe, crime ou falha operacional do banco. Arrependimento de compra, erro na digitação do valor ou da chave e desacordo comercial sem indício de fraude ficam de fora. E a devolução não é garantida: depende de haver dinheiro nas contas envolvidas e pode ser parcial.
Se cair em golpe, a recomendação é agir rápido. Procure o banco imediatamente, mesmo dentro do prazo de 80 dias, porque cada hora conta para bloquear o dinheiro. Guarde o comprovante da transferência, prints das conversas, anúncios e os dados da conta que recebeu o valor. Dependendo do caso, registre boletim de ocorrência. No fluxo de fraude, as instituições têm até sete dias para analisar os indícios.
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