Prévia da inflação: tomate sobe quase 25% e comida em casa fica mais cara
IPCA-15 de outubro desacelera para 0,32%, mas alimentação no domicílio avança 1,01%. Veja o que subiu e como driblar na cozinha.

A prévia da inflação oficial desacelerou em outubro, mas a ida ao mercado ficou mais cara. Segundo o IBGE, o IPCA-15 subiu 0,32% no mês, abaixo dos 0,70% de setembro. O grupo Alimentação e Bebidas, porém, teve a maior alta entre os nove pesquisados, de 0,88%, e a comida consumida em casa avançou 1,01%. O dado, divulgado na sexta-feira (23), ajuda a explicar por que a sensação no caixa do supermercado não acompanha a queda do índice geral.
O vilão do mês foi o tomate, que ficou 24,54% mais caro, de acordo com os números do IBGE reunidos pela CNN Brasil. Também subiram a cebola (13,63%), a batata (10,96%) e o arroz (5,80%). Na outra ponta, a cenoura caiu 10,67%. A coleta de preços do IPCA-15 de outubro foi feita entre 16 de setembro e 14 de outubro.
No acumulado de 12 meses, a prévia chegou a 4,62%, acima do teto de 4,5% da meta de inflação. O resultado do mês, ainda assim, veio abaixo do esperado: a pesquisa da Reuters com analistas apontava alta de 0,43%. O que segurou o índice foram as passagens aéreas, que caíram 9,24%, e a energia elétrica residencial, com queda de 0,89%. Já os combustíveis subiram 1,20%.
Dados do varejo vão na mesma direção. Levantamento da Neogrid, que acompanha mais de 40 milhões de notas fiscais por mês, aponta que os legumes acumulam alta de 32,8% entre dezembro de 2025 e setembro de 2026. No mesmo período, o feijão subiu 29,7% e o leite longa vida, 29,4%. Os dados usam períodos e métodos diferentes dos do IBGE, mas mostram que a pressão sobre a comida básica vem de meses.
Para quem cozinha em casa, algumas estratégias ajudam a atravessar a fase de preços altos. A primeira é trocar ingredientes: se o tomate está caro, molhos com abóbora, cenoura (que ficou mais barata) ou pimentão assado podem substituir parte dele em receitas do dia a dia. A segunda é comprar a quantidade certa. Legume que estraga na gaveta é dinheiro jogado fora, e a alta de preços torna o desperdício mais caro.
Outra saída é aproveitar sobras. Batata cozida que sobrou do almoço vira petisco assado no forno ou na air fryer; arroz do dia anterior vira bolinho. Congelar porções de molho e de legumes já picados também evita perdas e encurta o preparo nos dias corridos.
Na feira, a regra de ouro continua valendo: comparar preços entre bancas e preferir os produtos da estação, que costumam estar mais baratos e com melhor qualidade. No fim da feira, muitos feirantes baixam o preço para não levar mercadoria de volta.
O resultado oficial de outubro, o IPCA completo, deve ser divulgado pelo IBGE no início de novembro. Até lá, o recado da prévia é claro: o índice geral desacelerou, mas a comida segue pesando no orçamento das famílias.
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