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Saúde e Bem-estar

Metapneumovírus puxa alta de casos graves de doença respiratória em crianças, diz Fiocruz

Boletim InfoGripe aponta Sergipe, Goiás e Mato Grosso com crescimento de SRAG; vírus avança em oito estados do Centro-Sul e do Nordeste

Mãos sob a água da torneira, sendo lavadas na pia
Imagem ilustrativa: lavar as mãos ajuda a evitar vírus respiratórios Foto: kittenfc / Flickr · CC BY 2.0

Três estados brasileiros estão com casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em nível de alerta ou risco e com sinal de crescimento: Sergipe, Goiás e Mato Grosso. O dado é do boletim InfoGripe da Fiocruz divulgado na quinta-feira (22), referente à semana de 11 a 17 de outubro. O destaque é o metapneumovírus, um vírus respiratório pouco conhecido do público que está em alta em várias regiões e atinge sobretudo as crianças pequenas.

Segundo a Fiocruz, cada estado tem um motivo diferente para a alta. Em Sergipe, o crescimento está ligado principalmente ao metapneumovírus. Em Goiás, ao rinovírus, o vírus mais comum do resfriado. Em Mato Grosso, à Covid-19. Nos dois primeiros, o aumento se concentra em crianças pequenas. Mato Grosso do Sul, Roraima e Santa Catarina também estão em alerta ou risco, mas sem sinal de crescimento.

Entre as capitais, cinco têm incidência em alerta ou risco e tendência de alta: Aracaju (SE), Cuiabá (MT), João Pessoa (PB), Palmas (TO) e Rio de Janeiro (RJ). As faixas etárias variam. Em Aracaju e Cuiabá, a alta é entre crianças pequenas; em Palmas, entre 5 e 14 anos; em João Pessoa, entre 50 e 64 anos. No Rio, atinge crianças menores de 2 anos, adolescentes e adultos.

O metapneumovírus está em crescimento em oito estados, segundo o boletim: São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina, no Centro-Sul, e Bahia, Pernambuco e Sergipe, no Nordeste. Ele pertence à mesma família do vírus sincicial respiratório (VSR), causa sintomas parecidos com os de um resfriado e, em bebês e idosos, pode evoluir para quadros mais sérios, como bronquiolite e pneumonia. Não há vacina específica contra ele na rede pública.

No quadro nacional, a notícia é mais tranquila. A Fiocruz aponta tendência de queda da SRAG nas últimas seis semanas e de estabilidade ou oscilação nas últimas três. Ainda assim, os pesquisadores registram aumento dos casos graves por metapneumovírus e leve alta dos ligados ao rinovírus e à Covid-19, que segue em nível baixo.

Em 2026, o país já notificou 166.131 casos de SRAG. Desses, 88.981 (53,6%) tiveram resultado positivo para algum vírus respiratório. Nas últimas quatro semanas, o rinovírus respondeu por 53,7% dos casos positivos, seguido pelo VSR (12%). A Covid-19 aparece em 5,8% dos casos, mas em 23,5% dos óbitos com vírus identificado. Segundo o boletim, as crianças menores de 2 anos têm a maior incidência, e a mortalidade é maior entre pessoas com 65 anos ou mais.

A principal recomendação dos pesquisadores do InfoGripe é manter a vacinação contra a Covid-19 em dia. Segundo a Fiocruz, idosos e pessoas imunocomprometidas devem tomar reforço a cada seis meses, e os demais grupos prioritários, uma vez por ano. No boletim anterior, a fundação também lembrou que gestantes podem se vacinar contra o VSR para proteger os bebês nos primeiros meses de vida.

Contra o metapneumovírus e os outros vírus respiratórios, valem as medidas de sempre: lavar as mãos com frequência, cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, manter os ambientes ventilados e evitar contato próximo com bebês e idosos quando estiver gripado. Criança com sintomas deve ficar em casa. Falta de ar, respiração acelerada, chiado no peito, lábios arroxeados ou febre persistente são sinais para procurar atendimento médico.

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